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domingo, 31 de maio de 2009

Alvará para a idiotice

Tudo bem...pode ser idiota! Seja o mais idiota que conseguir. Na verdade, nem precisa se esforçar, as coisas fluem naturalmente. As asneiras jorram, as frases emblemáticas, as afirmações mais estúpidas e a sua filosofia de cafajeste escapam por seus poros, eu consigo enxergar. Agora tudo isso está muito bem triturado e temperado com as mais sofisticadas pitadas de ignorância. No entanto, todo o som ensurdecedor que ecoa de você está mudo, vedado com um milhão e meio de caixinhas de ovos. O silêncio mais inofensivo que já pude presenciar.


Vai lá! Seja idiota pra caramba, cara! Eu já fui e estou curada. E só te ofereço esse crédito de paciência, porque eu é que comecei com as asneiras por aqui! Bem... ao menos foi assim que as coisas se estruturaram em minha mente. Mas fique atento à vibração súbita do meu mini-despertador verde-sapo. Em sua trigésima oscilação entre suas duas campainhas, que prefiro denominar orelhinhas, seu tempo estará esgotado.

A única coisa que farei por você se extrapolar seu deadline é te olhar com aquela carinha de decepção, que talvez você nem note. Desdenharei e irei embora. Mas antes, curiosa como sou, olharei para trás sim, mais uma vez [ tá, farei duas coisas =/] ... para me despedir do meu mini-despertador e para me certificar que minha idiotice estava além do que eu imaginava. [deprimente!] Eu pensava que você era incomum. Sabe? A textura cintilante em meio a tantas cremosas. Droga! Era só um brilho fosco.


besostelefonéame ;*

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Asfixia

Dizem por aí que a saudade pode ser hum... morta em apenas cinco minutos. E ela morre de asfixia. A proximidade, o abraço apertado que eleva a temperatura pelo atrito de dois corpos. Um suspiro para roubar-lhe o ar e o nobre sentimento perde muito de sua capacidade respiratória. Alguém inspira para abafar uma fala e a saudade que há pouco sufocava os indivíduos, agora está com a língua para fora, inegavelmente, morta. E não... não adianta reanimação, porque o atestado de óbito já estava assinado e a cerimônia funerária já começou com sorrisos e piadinhas típicas de reencontros.

Quer saber o que eu penso dessa morte? Ela é fajuta! Mentira. Eu sei muito bem que cinco minutinhos não afagam a saudade. Ao menos, isso não se aplica a mim. É claro, podemos culpar o fato de dramaticidade ser meu forte e me fazer procurar minuciosamente um motivo para desabrochar em lágrimas. Mas convenhamos, tudo ia muito bem até meu caminho sem graça ser interrompido pelo fato de te ver de novo. E que proporção ganha esse simples fato!


A lot like love - De repente amor - 2005 - "Não. Não estraga."

Eu não asfixiei a saudade por meio da proximidade, a arma letal para suprimir qualquer vestígio de distância não fez efeito. Os cinco minutos não passaram nem perto de aniquilar a falta ali dentro de mim. E ela também não desapareceu na meia hora seguinte. Eu me dilacerava internamente com cada piadinha que reavivava a memória. Sua presença me fez sangrar, talvez por não ser saudade objetivamente sua, que eu sentia. Não sei se era o “você” que eu queria.

Eu contive minhas vontades tentando entender a aura densa que nos envolve em qualquer conversa banal. Não consigo entender porque o assunto não acaba. Por que você está exatamente onde não deveria? Por que sempre ia fazer algo que não fez? Por que eu ainda sou visível pra você? A melhor opção para mim é que você mal lembre da minha existência, mesmo que eu faça um panelaço na porta de sua casa. Me ignore! Me ignore, por favor.

Sua aparição desenterrou tudo que caíra deliberadamente no abismo do esquecimento e me fez sentir saudades. Saudades ao contrário. Senti falta da falta que me fazia sentir de você. Sabe? Toda vez que metodicamente segurava o celular até a ligação cair, só para me ligar de volta 10, 15 minutos mais tarde. Fingir distração, ao passo que ficava olhando sorridente para o visor do celular que revelava em letras miúdas o meu nome.

Não... não... aquele abraço cordial não destruiu a saudade de você. Do você que eu idealizei. Aquela faceta que só eu conheço. O sorriso discreto que só eu sou capaz de ver. Maldita afinidade! Nem existe algo especial de verdade nisso tudo. Nada além do que eu julgo saber. Nada que seja mais verdadeiro que a minha própria asfixia ao presenciar o quão poética eu sou com relação a você e quão tudo está acabado. Resta apenas um último sufocamento pra aniquilar o vestígio mais esquisito de saudade que se ouviu falar. Quem sabe no próximo abraço?


Obrigada por lerem minhas lamúrias.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conspiração


Certa vez assisti um célebre seriado - como não me é de costume, confesso - chamado Grey’s Anatomy e por julgar pelo final melancólico e inegavelmente lindo, me identifiquei.(Minha inutilidade não me comove mais.) Não cumpri a promessa acompanhar assiduamente o seriado, talvez porque fui atacada por uma onda de cansaço indescritível nos últimos tempos e não me mantive acordada nenhuma quinta-feira o suficiente para me entreter com qualquer sentimento sutil de tal atração televisiva. Ou por decidir fazer outra coisa mesmo.


O episódio me apresentava a linda protagonista, que não sei o nome, mas também não vem ao caso. Cabelos louros, olhos claros, pele aveludada, a não ser por uma espinha disfarçada com um discreto band-aid de Hello Kitty no lado esquerdo da testa. Nada mais original, seu “par romântico”também me fora apresentado. Um médico bonitão, de cabelos castanho a lá galã mexicano (lê-se aqui, o eterno Carlos Daniel), que havia retomado seu casamento. Segundo me contaram a situação ali estava mais para “caso mal resolvido”. Os dois tiveram um flerte (sempre achei flertar um verbo muito anos 80) durante uma crise conjugal.

Durante aquele capítulo, o casal já se encontrara duas vezes no elevador. Uma dessas vezes - vale ressaltar - a esposa estava lá. Ela também é uma médica linda e sim, trabalha no mesmo hospital. Não parece muito confortável estar em um cubículo vertical móvel, quando existe um triângulo amoroso escancarado para todas as partes envolvidas.




O terceiro encontro reservava uma conversa particular para o antigo casal de amantes. Sabe-se lá por que fator de loucura ela decide romper o silêncio no elevador com a célebre frase: “Eu sinto a sua falta”.( Ou seria “estou com saudades”? Enfim... I miss you). O doutor bonitão, antes encostado no fundo do elevador, se aproxima dela. Parece querer abraçá-la. Sente seu cheiro, mas se contém. Resmunga algo: “Eu não posso”.(Raivinha súbita desse médico).

O que quero com toda essa ladainha? Simples. Quantas vezes não engasgamos para não deixar escapar um “sinto sua falta”? Para quem quer que seja... pai, mãe, irmãos, amigos, ex-namorados, ficantes , etc. Não falarei aqui, de constrangimentos de elevador, esses guardarei para meu futuro livro. Mas acho muito adequado falar sobre portas. Isso mesmo, portas.

Eu cultivo a capacidade de encontros embaraçosos da médica-Hello-Kitty, não ao estar no elevador, mas ao sair ou entrar demasiadamente por alguma porta. - Sem direito a I miss you, óbvio - Incrível?! Mas é isso mesmo. Eu desejo tanto perder esse dom ingrato! Coisas legais como desaparecer, ter teias saindo de meus punhos, ler pensamentos ou ter um vampiro perfeito apaixonado por mim não... não ocorrem comigo. Só mesmo esse magnetismo meio tronxo parece ser uma parceria tão adequada quanto a combinação de beleza de Brad Pitt e Angelina Joile.

Estou certa de que você não é uma pessoa tão sortuda quanto eu e não vê seus problemas te encontrarem com a breve dinâmica de maçanetas e dobradiças. No entanto, posso apostar que um assunto mal resolvido já te perseguiu à la monstro boquiaberto do Pânico.Anote aí: Nunca duvide da capacidade das pessoas de ressuscitar questões mortas e enterradas em caixão de chumbo. Duvide menos ainda dos caprichos obscuros do cotidiano, que promoverão um encontro ao acaso.

Sua mãe, sua prima, sua irmã, um amigo qualquer, inevitavelmente tocarão no assunto. Se seu nome tornou-se um vínculo muito objetivo e constante com certo ser então, desista. Você está fadada às correlações e perguntas que serão um fabuloso teste de paciência. E eu nem precisava dizer que a Tv e o rádio não estão a seu favor. O mocinho da próxima novela tem a cara dele e aquela música... é aquela...( Pode xingar!) vai virar hit, claro!

Como escapar de tudo isso? Não... não adianta afundar a cabeça no travesseiro. Tenho certeza. Não me adiantou andar pé-por-pé ao som imaginário do tema de pink panter antes de entrar e sair de lugares. Para dizer a verdade, se alguém tiver alguma sugestão de antídoto ou exorcismo que cure meu magnetismo tronxo pode me informar, okay?! Admito que neste exato momento, contudo, que tento contabilizar as engasgadas que dei em cada um desses encontros descabidos. Não consigo, porém. Minha memória está me traindo do mesmo modo que ao transcrever as falas dos personagens de Grey’s Anatomy.

Desesperançosa, deixo documentado meu desabafo. EU NÃO SUPORTO MAIS ESSA CONSPIRAÇÃO. Não queria ter que aguardar um novo encontro ao passar por uma porta qualquer e decidir se irei me portar como a doce e sincera protagonista de Grey’s Anatomy, ou se serei forçadamente natural e falsearei indiferença. De todo modo, as duas opções podem não alterar a situação em si.


*Desculpem a demora para postar*


Este texto está pronto há muito tempo. Algumas de minhas doces leitoras sabem muito bem disso. hehe ;D


Espero que apreciem este novo post. E prometo ser mais, digamos, constante.


Próximo post: o Meme.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Desapegue!

Li o horóscopo de uma certa revista de moda uma vez, que trazia informações realmente úteis e revolucionárias, no que se diz respeito ao signo de câncer. Signo que por sinal, muito me interessa, afinal sou de câncer.

‘Desapegar’ esta era a palavra chave da novidade astrológica que eu acabara de ler. “Pessoas do signo de câncer tem laços reforçados com o passado; são capazes de fantasiar com um amor do passado, ou fazer do seu guarda-roupa um verdadeiro relicário”, era mais ou menos isso que estava escrito lá em letrinhas acinzentadas.

É... foi um tanto tenebroso ler aquilo e logo avaliar alguns aspectos do meu cotidiano, como a dificuldade que tenho de renovar minha calça jeans preferida, trocar as fotos do mural. Mudar o corte de cabelo para mim é um dilema, doar meus bichinhos de pelúcia para a caridade foi traumático, assim como me desfazer de roupas que não uso mais, ou de sapatos que eu nunca gostei, ok?! Nunca gostei... mas não gosto de me desfazer. Ta bom?! E sou feliz assim!

Confesso comecei a observar meu guarda-roupa bastante desconfiada, como se o bicho papão estivesse pronto para me atacar. Por sorte não fisguei algo da lembrança em meu guarda-roupa que me envergonhasse tanto quanto ser apanhada treinando na mão para dar o primeiro beijo.

Ótimo... o que eu li era a maior balela! Não havia bicho papão. E não tenho quinquilharias guardadas, só algumas coisinhas pelas quais tenho afeição. Qual é o problema nisso?
Ta bom... ta bom... admito! Algumas coisas me envergonhariam quase tanto como ser pega treinando para dar o primeiro beijo, não que eu tenha feito isso. Falamos apenas de uma suposição. Em meio aos pensamentos difusos de uma suposição talvez (eu disse talvez) verídica, decidi mudar algumas coisas nessa minha dinâmica ‘arqueológica’ de vida. Afinal olhar para o meu guarda-roupa me fez entender que sim, eu tinha relíquias e infelizmente nem todas caberiam em um armário.

Na verdade, colocar a maior de minhas relíquias no armário não seria muito fácil. Retirar todos os pensamentos que tive de minha mente teimosa, arquivá-los em ordem alfabética, transcrever as mensagens de celular, desaparecer com grupos musicais e toda sua discografia. Seria bastante complicado! Eu e essa minha mania canceriana de me apegar facilmente.

Quanto tempo durou, afinal? Um mês? Um mês e meio? E quantas vezes nós realmente tivemos um contato digamos mais próximo? Uma? Duas vezes? Ai... ai... sua canceriana tapada! E quanto tempo faz? Seis? Sete meses? Uau! (Sim... revisar minhas estatísticas me deprime!) Apesar, de saber que esses lances amorosos não são medidos por tempo, mas por intensidade, não é nada bom notar que você é um zero bem desenhado em questão de desapego. Ah, e tenho que ressaltar o lance da intensidade, usá-lo como argumento não me pareceu muito digno, não, não mesmo, já que quem está falando é a intensidade em pessoa. (Haha!).

Espera aí, só um minutinho! Quem disse que se eu me apego a culpa é minha? Hein?! Eu não liguei primeiro... não fui eu que deixei brechas! Ele entendeu tudo errado! Entendeu que eu estava envolvida e apaixonada e por alguma obra miraculosa do universo algum tempo depois era exatamente assim que me sentia. Isso mesmo! A culpa é sua! A culpa sempre é sua ... e não, você não tem direito de defesa! Agora faça o favor de cair fora da minha vida! ‘Simples assim’, como arrumar o guarda-roupa.

Tire todas as suas roupas de dentro do armário, folheie algumas páginas mais adiante na mesma revista em que você leu o horóscopo e não tenha dúvidas você vai encontrar um manual de estilo capaz de lhe apontar as melhores roupas para o seu corpo. Você também vai conhecer as cores da estação e as peças que vão ser hits. Separe suas roupas medindo o quanto você gostas delas, o índice de elogios que você recebe quando as veste e claro, o nível de cafonice. Ganhe um visual novo e de quebra um pouco de organização no seu armário, que agora, não terá tantas quinquilharias!

Faça o mesmo processo com o encosto proveniente de sua paixonite e mande o velho amor pro brechó. Quem sabe um dia você não entra na onda retrô, não é mesmo? Tudo bem, talvez não seja como organizar o guarda-roupa e talvez exija muito mais coragem. Sim!Vai me exigir mais coragem, mas vou tentar usar minha memória seletiva ao meu favor.

Mais adiante no mesmo horóscopo, mais letrinhas acinzentadas e uma definição surpreendente... (Esse horóscopo infame insistia em me atormentar, com uma definição que fiz questão de decorar letrinha cinzenta por letrinha cinzenta!).

“A canceriana é um caso a parte! Reúne ao mesmo tempo, força e fragilidade, doçura e raiva, carência e independência. Possui memória seletiva e escolhe o que e quando lembrar. É superintensa em tudo”.

SOU EU! Como assim? Tão perfeita e sucintamente definida? Não! Sinto muito, cara jornalista, astróloga, curandeira, médium, ou Mãe de Na, que tenha escrito isso, essa sua capacidade de síntese não é normal. (Por favor, se interne!) Não achei nada agradável ler essa admirável e perfeita definição de mim mesma. Acho muito mais divertido ser complexa e misteriosa.

Pelo que vejo, vou ter que me desapegar de muitas coisas por aqui, inclusive de levar esses horóscopos ao pé da letra. Já ganhei um novo guarda-roupa impecavelmente organizado mesmo. Além do mais, estou com aquela sensação de mudança... é aquela... a mesma que sempre tenho quando vejo ‘De repente 30’! Uma vontade imensa de mudar, de alcançar algo maior, de ser muito, mais muito feliz mesmo; e claro, dar uma bela lição naquela garota horrenda que tenta puxar o meu tapete desde sempre. Esta sensação é a melhor de todas. Do que eu estou falando? Filmes-adolescentes-água-com-açúcar? (Sou um caso perdido!).

Vamos lá! Desapegue! Todo mundo faz isso, não deve ser tão difícil.

Mas porque mesmo eu daria importância a um horóscopo?